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segunda-feira, 1 de julho de 2013

O peregrino da alvorada


Escrever sobre minha experiência a bordo, vai ser um pouco difícil. Mas vamos começar bem lá no inicio, como tudo aconteceu. Se eu falar que foi verdade, verdadeiríssimo, você irar olhar para mim e dizer: não, você só pode ter sonhado. Não posso afirmar se foi real ou não, só sei que foi uma experiência. Afinal, qual a diferença entre sonhar e sonhar acordado, talvez só se torne realmente real se você acreditar que é real.

Era um dia comum. Me levantei e fui colocar a ração da minha gatinha, que entre miado e felicidade, me acariciava como uma bola de pelos nas minhas pernas. Como todo mundo faz, acorda, e a primeira coisa que faz é ir escovar os dentes. Mas  como não sou todo mundo, a primeira coisa a fazer ao se levantar é dar atenção para minha gata.

Amanheceu um daqueles dias que me deixa tão feliz ao ponto de sair cantando sem me importar com as opiniões alheias. O céu lá fora continha nuvens cinzentas, um alerta para chuva, mas como na minha cidade chuvas eram só de passagem, não liguei muito e estava decidida a sair por ai.

Escovei meus cabelos, vesti meu vestido preferido com gola Peter Pan, e fui até a minha estante para ver qual livro iria me acompanhar durante esse passeio. Eram tanto livros mágicos que fiquei na duvida em qual levar. Mas ali, no canto da estante um leão parecia rugir, despertou minha atenção logo de primeira. E eu sabia que Nárnia parecia  me chamar. Mal cheguei a porta e minha gata apareceu miando, como se me pedisse para ficar mais um pouco. Acariciei ela e saí.O tempo estava mesmo nublado, e meu casaco estilo londrino me protegia do vento frio. Resolvi parar para ler numa pracinha, que com esse clima se podia ver poucas pessoas aproveitando o tempo.

Abri o livro na história em que eu mais gostava A Viagem no Peregrino da Alvorada, e tentei me concentrar. Parecia impressão minha, mas o vento ficava mais forte a cada momento. E o mais estranho era que conseguia sentir o cheiro do mar, como se estivesse de frente para uma praia com contáveis ondas agitadas e borbulhantes nesta exata hora. Olhei ao redor tentando ver se não seria uma chuva se aproximando, poderia ser cheiro de terra molhada, não? Mas nada, até já se podia ver o azul brilhante do céu. Relaxei e continuei a ler.

Deve ter passado algumas horas, pois o sol já estava se pondo no horizonte. Mas eu ainda estava destinada a ficar ali e continuar. Foi quando ouvi alguém me chamando ao longe, olhei, na minha frente estava um homem jovem, com cabelos ao ombro e aparento a sorrir muito, pois seus olhos, ao sorrir, se formavam rugas. Ele parecia estar falando, mas eu não conseguia ouvir, sua voz estava distante sendo atrapalhada pelo som das ondas. Mas que ondas? - me perguntei. E ao olhar para o lado percebi que estava em um praia, na qual a mais linda praia que já tinha visto na minha vida. Estava deserta, ali só existia eu e o homem estranho que ainda continuava a falar. O que eu iria fazer se não conseguia entender nada. Eu parecia estar mesmo assustada, foi quando ele percebeu e finalmente entendi o que dizia:

-Você acredita em mim?
Sem ao menos pensar eu respondi: - Sim, eu acredito!

Continua...

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